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Do favoritismo ao quase esquecimento

 

Um filme dirigido por um dos caras mais promissores de Hollywood que tem no currículo Whiplash e La La Land, contando a historia de um dos maiores feitos da historia da humanidade protagonizado por um genuíno herói americano, interpretado por um dos maiores/melhores atores da atualidade. Ah! É Óscar na certa…!

Hã!? Naão!

Pois é, o filme que prometia ser o grande bicho papão nas premiações em 2019 foi absolutamente ignorado na maioria das premiações ficando restrito há alguns poucos prêmios e indicações nas categorias tecnicas.

Mas o que levou a Academia tão propensa a premiar filmes que tratam de grandes temas e principalmente se estes temas têm uma dose alta do famoso patriotismo americano, a simplesmente nem sequer lembrar O Primeiro Homem nas indicações das principais categorias? Seria uma opção estratégica da Academia acuada pelo momento de falta de prestigio atual?E  como o filme se saiu nas demais premiações? O filme de Damien Chazelle realmente é o que se esperava ou deixou a desejar e por isso foi esquecido? É o que discutiremos a seguir.

 

Destino: Lua!


Década de 60… O mundo assistia a expansão espacial soviética, pioneiros em praticamente todas as ações de desbravamento do espaço, com direito a primeira missão tripulada por um humano, excelentíssimo Yuri Gagarin (o nome é feio, mas é esse mesmo!), deixando os rivais americanos para trás e intensificando ainda mais as tensões da Guerra Fria.

Os Estados Unidos decidem então tomar uma contra medida radical e incrivelmente ousada, um plano para em poucos anos, levar uma nave espacial americana tripulada por humanos a Lua, um alvo que mesmo o avançado programa espacial soviético sequer imaginara até então.

 

 

Cena lindíssima da chegada à Lua em “O primeiro Homem”

 

Pois bem, neste cenário conhecemos Neil Armstrong, piloto, engenheiro aeroespacial e mais um monte de outras coisas, que em meio à tristeza pela morte de sua filha se junta ao Programa experimental Gemini, como candidato a num futuro integrar a tripulação que visitará a casa de São Jorge.

Essa é a premissa do filme cujo o roteiro foi adaptado do livro homônimo de James R. Hansen.

 

A ousada visão de Damien Chazelle

Damien Chazelle é claramente um cineasta com uma assinatura muito particular. Enxerga suas obras através de um prisma que abre diversas possibilidades para explorar um tema. Costumeiramente o diretor opta por valorizar a figura humana com suas qualidades, anseios, medos, defeitos, dramas e frustrações e usa-la como fio condutor de suas historias o que deixa seus filmes muito mais sensíveis e intimistas.

O Primeiro Homem não foge a regra ao arriscar desenvolver seu tema sem tanto glamour, pela perspectiva do sofrimento, sacrifício e da dor no desbravamento do caminho para a realização de um sonho aparentemente impossível.

Para isso conta com um elenco afinado, Ryan Gosling prova mais uma vez que é um dos grandes atores da atualidade dando vida a Neil Armstrong que se desfaz da armadura de grande figura histórica para mostrar os dramas e os dilemas de um homem a beira de um grande acontecimento e como depois disso sua forma de enxergar a vida e o mundo mudará.

 

À esq., Neil Armstrong em preparativos para a emissão da Apollo 11 e a direita Ryan Gosling

 

A competente Claire Foy interpreta Janet esposa de Armstrong, e impressiona como a atriz consegue imprimir toda a responsabilidade de ser o alicerce da família, ferida pela dor da perca, mas que precisa seguir em frente equilibrando as demandas da família com o foco do marido totalmente voltado para a sua carreira. O elenco ainda reúne nomes como Jason Clarke, Olivia Hamilton, Corey Stoll (vivendo o astronauta Buzz Aldrin que pisou na Lua com Armstrong).

Se os efeitos visuais entregam o resultado esperado, os efeitos e a trilha sonora são o grande destaque deste filme, valorizando a atmosfera e garantindo uma total imersão à trama, que flui bem transitando entre uma narrativa quase que contemplativa no inicio e uma dinâmica mais intensa à medida que a historia cresce em seu segundo ato.

Além do roteiro, atuações e direção outro ponto que merece destaque é a fotografia, com closes e ângulos que valorizam a expressão de emoção no rosto dos personagens além de praticamente colocar o expectador no “cockpit” das naves em meio a sua jornada espacial com toda a tensão e desconforto que tal momento proporciona.

De fato, O Primeiro Homem é um bom filme, que conta uma historia grandiosa através da ótica do sacrifício de homens comuns e até mesmo de uma nação para propor a realização de um sonho que como dissemos anteriormente se mostrava completamente impossível. É um exemplo da valorização do ser humano e da forma como ele enxerga o mundo, e a busca por nossos objetivos pode ser uma experiência modificadora e inspiradora.

Mas então, o que deu errado?

Difícil dizer, mas como veremos abaixo acredito que foi um conjunto de fatores que envolve a qualidade dos filmes concorrentes, o momento atual da industria do cinema e a essência do próprio filme.

A Academia indicou O Primeiro Homem somente para categorias técnicas entre elas melhor mixagem e melhor edição de som, deixando inclusive o filme de fora das indicações de Melhor trilha sonora e montagem.

Além disso, o filme passou longe das categorias principais não só do Oscar, mas de praticamente todas as grandes premiações do gênero na temporada. Pensando no Oscar em si, podemos atribuir a não indicação ao momento politico da Academia e suas opções por indicações com apelo popular maior, e só olhar para os exemplos das indicações de Pantera Negra e Bohemian Rhapisody. O problema é que não foi só no Oscar, as outras premiações inclusive o Globo de Ouro também incluíram o filme somente nas categorias técnicas.

Não falta ao filme de Chazelle predicados para figurar em qualquer lista de indicados a Melhor Filme, mas o fato é que a concorrência é pesada. A visão ousada do diretor e sua linguagem cinematográfica pouco usual e até certo ponto inovadora fez do Longa num deslumbre técnico, mas inegavelmente falta alma ao filme, pois  peca em apresentar uma jornada emocional muito solida e emotiva para o personagem central, mas esquece de convidar o expectador para embarcar nesta mesma viagem. Isso com certeza pesou contra ao filme que viu outras obras excelentes também ficarem pelo caminho, caso de As viúvas, excelente filme de Steve Macqueen, e A Mula que marca a despedida de Clint Eastwood como ator.

Também Ryan Gosling e Claire Foy ficaram de fora das indicações em suas categorias, ambos entregam atuações muito solidas e imersivas, dentro da proposta de seus personagens que por sua vez seguem a mesma ótica contida que rege o filme todo. Num ano com atuações muito intensas e de grande qualidade, chega a ser natural à ausência do casal de protagonistas nas premiações. Basta olharmos os exemplos de Emily Blunt e Ethan Hawke que mesmo diante de performances memoráveis não foram lembrados, isso sem falar em Toni Collette, sua não indicação à melhor atriz por Hereditário, é na minha opinião a maior injustiça do Oscar este ano.

Claro que estes fatos não diminuem a excelência da obra e a bela experiencia que o filme proporciona, que troca uma possível grandiosidade no enredo por uma narrativa mais contemplativa com elementos muito particulares a visão intimista do diretor ao contar um dos maiores feitos da historia da humanidade.

Fica a cargo da experiencia de cada um com o filme, qualificar ou não como injusta sua ausencia nas premiações adicionando ou não a obra ao seleto grupo de clássicos inesquecíveis do cinema.

A temporada de premiação terá seu ápice com a entrega do Oscar que acontece no dia 24 de Fevereiro e terá cobertura ao vivo da Radio Fun Brasil.

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