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Godzilla II, chegou para dar continuidade ao “Monstro Verso”, resultado da parceria entre a Warner e a Legendary , que dá sequência ao que foi apresentado em Godzilla e Kong: A Ilha da Caveira.

O filme que de início não chamo lá muita atenção, cresceu absurdamente em expectativa, em especial os dois primeiros.

Foi neste cenário que o filme chegou aos cinemas prometendo mais caos, mais calamidades, mais destruição e muito, mas muito mais monstros;

A história se passa cinco anos após os eventos de “Godzilla”, período do qual nenhuma destas criaturas colossais deu as caras. Mas este cenário pode mudar quando um plano para o caos e a destruição envolvendo do despertar de diversas destas criaturas entra em ação e o retorno de Godzilla pode ser a única esperança da humanidade ante a iminente extinção.

Esta premissa simples diz muito da história deste filme que não faz, como esperado, uso de um roteiro profundo, o enredo raso deveria somente servir de palco para o desenrolar do contexto que encaminha o que todo mundo quer ver: Monstros gigantes saindo na porrada, destruindo tudo à sua volta.

Bem, e neste ponto o filme de fato entrega. Não demora muito para que os eventos levem a aparição dos monstros, e o consequente confronto contra Godzilla, um protagonista que claro sempre será encarado como uma ameaça perante a humanidade, que como o próprio filme gosta de enfatizar, prefere destruir sempre, tudo aquilo que ela tem medo ou não entende.

 

 

 

Até aí tudo bem, afinal de contas é exatamente isso que se espera de um filme do Godzilla, o problema que ao invés de renegar o núcleo humano a condição de coadjuvante na trama, o roteiro prefere dividir o protagonismo dos humanos com os monstros,criando mais do que uma dinâmica, mas aliando a motivação dos personagens e seu ponto de virada, as consequências da aparição de Godzilla no filme de 2014.

Aí começam os problemas, o roteiro não se aprofunda o suficiente para valorizar a carga dramática atribuída aos seus protagonistas, em contrapartida, seus elementos não conseguem passar despercebidos, ou seja, é desequilibrado já que  não é raso o suficiente para apenas servir de pano de fundo para o embate dos titãs.

O roteiro sofre com a falta de coerência necessária ao contar sua história, tenta estabelecer uma mitologia, mas sua construção é falha, as explicações são confusas e por vezes contraditórias, e em algumas situações elas nem existem, o que deixa tudo ainda mais estranho.

Conforme o filme avança, não só as motivações de seus personagens, mas também o mistério da aparição dos titãs ganha mais corpo, há uma tentativa do roteiro em dialogar sobre família, superação e sacrifício, tudo sem muito impacto, apenas recursos do roteiro para que os personagens permaneçam vazios  ao longo de sua trajetória no filme.

O ritmo do filme é na maior parte do tempo intenso e uniforme, sucede seus acontecimentos de forma dinâmica, caminhando para o desfecho do filme que oscila entre o esperado confronto entre as criaturas e uma reviravolta absolutamente previsível envolvendo seus protagonistas.

Os diálogos não tem nada de especial, se não são dispersos também não são necessariamente imersivos, e ainda por cima propõem alívios cômicos inseridos em momentos errados que de fato não funcionam.

 

Uma dupla dessa bicho! Vera Farmiga e Millie Bobby Brown

 

O elenco reúne nomes interessantes, claro com destaque principalmente para a sempre excelente Vera Farmiga, que na pele da Dra. Emma se esforça para dar uma ênfase a uma personagem não tão bem escrita assim. A carga dramática e o comportamento obsessivo da personagem perdem muita força graças ao roteiro que não produz meios para valorizar a jornada da personagem.

O mesmo podemos dizer da promissora Millie Bobby Brown na pele de Madson filha da Dra Emma, que permanece avulsa no enredo quase que o tempo todo, antes do terceiro ato tem momentos pouco relevantes, e mesmo no seu ponto mais alto já no terceiro ato, sua condução não é das melhores, e isso não é culpa da atriz, mas como já dissemos de um roteiro que tende a valorizar seus personagens humanos para que sejam os condutores da histórias , mas não se preocupa em desenvolvê-los adequadamente para isso.

Completando o trio de protagonistas Kyle Chandler, pai de Madison e ex-marido de Emma,  background do passado do personagem e como ele reagiu ao drama imposto a ele e a sua família no início do filme são tratados perante seu ponto de vista, assim como o dilema da humanidade em entender seu papel num ecossistema e entender que os titãs estão no topo da cadeia alimentar. Sua jornada de mudança e redenção também sofre por falta de um roteiro mais elaborado que se aprofunde de fato nos dilemas de seus personagens. O desenvolvimento adequado aos dilemas e a importancia equilibrada dos personagens centrais de Godzilla (2014) são um exemplo pertinente para entendermos bem como os arcos dos protagonistas deste filme são discrepantes a atenção dada a eles pelo roteiro.

 

 

a esq., Ken Watabane e Sally Hawkins, a direita Kyle Chandler e a equipe da Monarch

 

 

Completam o elenco Zhang Zivi ( Cloverfield Paradox), Bradley Whitford (Corra!) além dos retornos de Ken Watanabe (O mar de árvores) e Sally Hawkins (A forma da água), todos ligados a Corporação  Monarch, que deveria servir de elo para o universo compartilhado, mas que ao longo de todo filme sua importância é pouco ressaltada, o elemento que deveria ser o condutor do “Monstro Verso” não tem neste filme a representatividade esperada.

O antagonismo entre os humanos fica a cargo do ator Charles Dance, na pele de um esquecível eco terrorista com comportamento e motivações que funcionam muito mal.

Como esperado a identidade visual do filme é seu grande destaque, a fotografia consegue, dimensionar com clareza a dimensão dos titãs e toda a sua devastação desmedida, apesar dos enquadramentos bem feitos, não há nada de muito novo ou excepcional na aplicação da fotografia ou no estilo de filmagem do diretor.

A paleta de cores alterna entre tons escurecidos  e cores vivas, algumas delas específicas para ambientar a presença de determinado titã, proporcionando um lindo contraste.

O design das criaturas é muito bem feito, há uma riqueza de detalhes em sua construção, valorizados pela sua paleta de cores.

Mothra, Rhodan e o próprio Godzilla são incríveis, toda a sua escala colossal é perfeitamente retratada, mas o destaque maior fica por conta do poderoso Rei Ghidorah, o gigantesco Dragão de três cabeças, um predador ainda mais poderoso que o próprio  Godzilla, com um design amedrontador. A figura do monstro gigantesco entrega toda a grandiosidade esperada e funciona muito bem em tela.

 

 

O Rei Ghidorah

 

As cenas de luta entre os monstros são nítidas, não há dificuldade em entender o que está sendo colocado na tela, ainda que a escala das batalhas sejam colossais. Na maioria delas, o cenário é escuro a maior parte do tempo com chuva ou num ambiente abundante de água, ou esfumaçado para claro, disfarçar possíveis imperfeições do CGI, comuns em situações como estas. Se você pretende ver em 3D, creio que a experiência em Imax seja mais interessante já que o 3D não faz muito diferença.

Há uma variedade de cenários, já que o filme percorre alguns lugares do mundo, de florestas na China, as geleiras da Antártida, com destaque maior para os cenários urbanos onde a maior parte da trama se desenvolve.

Dirigido por Michael Dougherty o filme entrega o que se espera dele, com lutas épicas e grandiosas, envolvendo criaturas colossais com seu design incrível, valorizando a figura do Godzilla, um dos maiores ícones da Cultura pop, não só no Oriente mas no mundo todo.

Deixa a desejar não só na consolidação de sua mitologia, mas também na pretensão de apresentar um arco mais elaborado sem prover os elementos necessários para tal. A ideia de um universo compartilhado de monstros, segue a todo vapor, como um entretenimento despretensioso ela pode funcionar e para isso, não há necessidade de que a audiência fique engajada em uma trama densa cheia de detalhes complexos. Se este for o caminho adotado pela Warner / Legendary, a coisa pode funcionar, considerando que principalmente o icônico combate prometido para o próximo filme da franquia: Godzilla vs Kong.

Ah! E o filme tem uma cena pós crédito, meio gratuita mas tem…melhor do que ela são as imagens dos Créditos finais, fiquem atentos!

 

 

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